Alterações nas unhas podem indicar problemas de circulação? Veja mitos, verdades e sinais de alerta

Onicomadese: descolamento na base /‘queda’ da unha após evento sistêmico arquivo pessoal - Miguel Ceccarelli Mudanças na cor, na espessura ou no formato ...

Alterações nas unhas podem indicar problemas de circulação? Veja mitos, verdades e sinais de alerta
Alterações nas unhas podem indicar problemas de circulação? Veja mitos, verdades e sinais de alerta (Foto: Reprodução)

Onicomadese: descolamento na base /‘queda’ da unha após evento sistêmico arquivo pessoal - Miguel Ceccarelli Mudanças na cor, na espessura ou no formato das unhas podem levantar suspeitas sobre a saúde da circulação sanguínea — mas especialistas alertam: nem toda alteração é sinal de artéria entupida. Em muitos casos, as mudanças são consequência de trauma, envelhecimento ou infecções locais. Dermatologistas ouvidos pelo g1 explicam quando as unhas realmente podem refletir isquemia (redução da chegada de sangue) ou hipoxemia (redução da oxigenação do sangue) e o que ainda é exagero nas redes sociais. Unhas e circulação: quando há motivo para investigar O dermatologista Miguel Ceccarelli, coordenador do Ambulatório de Doenças das Unhas do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE-UERJ), afirma que alterações isoladas raramente fecham diagnóstico. “Algumas alterações de unhas podem ser pistas de problema circulatório, mas quase nunca são a única pista. Em geral, preocupam mais quando aparecem junto com outros sinais, como pele fria, mudança de cor, dor ao caminhar ou feridas que não cicatrizam”, diz. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo ele, na doença arterial periférica — quando há obstrução das artérias das pernas — existe um conjunto típico de alterações. 🔎 Alterações associadas à isquemia crônica (má circulação prolongada) Pele fina, brilhante e fria Perda de pelos nas pernas 👣 Unhas dos pés: Opacas Quebradiças Espessas (hipertrofiadas) Deformadas Segundo Ceccarelli, esse conjunto de alterações indica que aquele tecido está recebendo pouco sangue há muito tempo. Em quadros graves, podem surgir: Pontas dos dedos muito pálidas ou arroxeadas Áreas enegrecidas Dor intensa Bolhas ou feridas próximas às unhas Isquemia x hipoxemia: qual a diferença? O dermatologista Hélio Amante Miot, docente da Faculdade de Medicina da Unesp, destaca que é fundamental diferenciar a isquemia da hipoxemia e que uma coisa pode estar presente sem a outra: Isquemia é quando a circulação não chega bem ao tecido. Hipoxemia é quando o sangue chega com pouco oxigênio Segundo Miot, os primeiros sinais costumam aparecer nas extremidades. “Se você olhar sua mão, a ponta do dedo costuma ser mais vermelhinha. No frio ela fica branca por isquemia. Em situações pulmonares ou cardíacas, pode ficar roxa”, explica. 🩸 Sinais que podem indicar isquemia Extremidades frias Pele ressecada sem explicação Crescimento lento da unha Destacamento da unha (onicólise) Retorno lento da cor ao pressionar a ponta do dedo 💨 Sinais ligados à hipoxemia: Cianose (unhas azuladas ou arroxeadas) Mudança no ângulo entre a unha e a pele “Unha em vidro de relógio”: sinal clássico Um dos achados mais conhecidos é o chamado clubbing, popularmente conhecido como “unha em vidro de relógio”. Miot explica que normalmente existe um ângulo entre a pele e a unha. Quando esse ângulo vai ficando mais reto, mais próximo de 180 graus, a unha assume o aspecto de vidro de relógio. Segundo o médico, essa alteração pode ser precoce em quadros de redução de oxigenação, especialmente em doenças pulmonares e cardíacas. Por isso, essa é uma forma de suspeitar de redução da oxigenação nas extremidades. Em estágios mais avançados, pode surgir o chamado “dedo em baqueta de tambor”, com crescimento da parte mole e do osso da ponta do dedo. Alterações ungueais com base científica em doenças sistêmicas Alguns sinais têm associação descrita na literatura médica com doenças internas. 📌 Confira abaixo exemplos de alterações estudadas, com as descrições informadas por Ceccarelli. O médico reforça que esses sinais não substituem exames. ➡️ Unhas de Terry / unhas “meio a meio”: Unha de Terry (polegar) aparesenta esbranquiçamento difuso com faixa distal preservada arquivo pessoal - Miguel Ceccarelli Parte próxima à cutícula esbranquiçada e extremidade rosada-escura. Estudos ligam esse padrão a doença hepática avançada, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e até doença vascular periférica. Não são exclusivos desses quadros, mas chamam a atenção. ➡️ Linhas de Muehrcke Duas faixas brancas paralelas que não se movem com o crescimento da unha. Essas linhas refletem hipoalbuminemia importante, típica de síndrome nefrótica, doenças hepáticas graves ou desnutrição intensa. Elas melhoram quando o nível de proteína no sangue normaliza. ➡️ Linhas de Mees Faixas brancas que se deslocam conforme a unha cresce. Aparecem após intoxicação por arsênico, alguns quimioterápicos, infecções severas ou falência de órgãos. ➡️ Linhas de Beau Linhas de Beau: sulcos transversais nas unhas marcam uma pausa no crescimento Arquivo pessoal - Miguel Ceccarelli Sulcos profundos que atravessam a unha inteira, indicando pausa temporária do crescimento. São comuns após infecções graves, infarto, quimioterapia, grandes cirurgias ou períodos de desnutrição intensa. ➡️ Hemorragias em estilha Pequenas linhas escuras verticais, semelhantes a farpas de madeira. Quando aparecem em muitas unhas ao mesmo tempo, podem ser pista de endocardite infecciosa, doenças reumáticas e vasculites, embora também sejam comuns em psoríase ou por machucados. Ceccarelli explica que quando esses sinais aparecem de forma típica e em várias unhas, aumentam muito a suspeita de uma doença interna, justificando investigação dirigida. Mitos e verdades sobre unhas e circulação Ceccarelli acrescenta que muitas informações difundidas nas redes sociais não têm respaldo científico. ❌Mito: Mancha branca na unha indica falta de cálcio ou vitaminas ✅Verdade: Frequentemente é causada por microtrauma da unha, doenças autoinflamatórias, químicos, entre outros. ❌Mito: Ranhuras na unha mostram má circulação ou artérias entupidas. ✅Verdade: Muitas vezes resulta de trauma, envelhecimento ou variações normais do crescimento. ❌Mito: Unhas quebradiças significam “sangue fraco” ou anemia. ✅Verdade: Não necessariamente. Unhas fracas estão mais frequentemente relacionadas à exposição a químicos como detergentes, trauma ou envelhecimento. ❌Mito: Manchas escuras nas unhas são sangue parado, trombose ou má circulação. ✅Verdade: Frequentemente são trauma e hematoma, pigmentação ou outras causas locais. Listras escuras podem ser desde pigmentação normal de pele morena, reação a remédios, trauma até melanoma. Não são, em geral, sinal de trombose. Há risco de atrasar o diagnóstico de câncer ao tratar apenas como “circulação”. ❌Mito: Qualquer alteração de cor na unha é micose. ✅Verdade: Nem tudo é micose! Pode ser trauma, pigmentação, medicamentos, doenças dermatológicas ou outras causas. ❌Mito: Toda unha grossa é problema de circulação. ✅Verdade: A causa mais comum de unha do pé grossa é fungo ou trauma repetido (sapato apertado, esporte), somados ao envelhecimento. A doença arterial periférica pode piorar a saúde da pele e facilitar fungos, mas a maioria esmagadora das unhas grossas não tem relação direta com entupimento das artérias. ❌Mito: A unha precisa respirar; deixar sem esmalte melhora a circulação ✅Verdade: A unha é feita de queratina morta e não respira. O oxigênio e os nutrientes chegam pelo sangue, e não pelo ar. Vale, sim, dar pausas de esmalte para evitar ressecamento e manchas, mas isso não altera a circulação. Quando procurar avaliação Onicodistrofia: unhas grossas e deformadas são sinais de alerta para investigar a causa Arquivo pessoal - Miguel Ceccarelli Os especialistas destacam que o alerta não deve ser para uma unha isoladamente diferente, mas para um padrão associado a sintomas. Confira sinais que justificam investigação: Alteração de cor persistente Extremidades frias e doloridas Feridas que não cicatrizam Deformações importantes em várias unhas Crescimento muito lento acompanhado de outros sintomas Nesses cenários, o dermatologista deve avaliar o quadro completo e encaminhar para investigação vascular, se necessário. LEIA TAMBÉM: O que as unhas revelam sobre a sua saúde Unhas 'falam' e podem nos 'contar' muito sobre a nossa saúde Como as unhas alertam sobre saúde e ajudam a detectar doenças