Quem são os foragidos da operação que prendeu secretária alvo de sanção dos EUA

Victor Shimada é foragido da Justiça e PF mira grupo sancionado pelos EUA A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange, com o obje...

Quem são os foragidos da operação que prendeu secretária alvo de sanção dos EUA
Quem são os foragidos da operação que prendeu secretária alvo de sanção dos EUA (Foto: Reprodução)

Victor Shimada é foragido da Justiça e PF mira grupo sancionado pelos EUA A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Dos 11 alvos de prisão temporária, três seguem foragidos. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Os investigados Victor Henrique de Oliveira Shimada, Romany Cutolo Bonente, conhecido como "Roma", e Diego Lameiro Diz são considerados foragidos. Shimada é apontado pela PF como líder do esquema de lavagem de dinheiro investigado e foi alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Romany é considerado operador financeiro responsável por intermediar pagamentos diretamente com Shimada, enquanto Diego teria dado suporte à lavagem de dinheiro por meio da criação de empresas de fachada nos Estados Unidos e no Brasil. Policiais ligados à investigação afirmam que Shimada sumiu do radar das autoridades após ser incluído na lista de sanções do governo americano por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que a sanção dos Estados Unidos imposta na última quarta-feira (1º) a pessoas e empresas brasileiras fez os policiais da corporação anteciparem a Operação Exchange, deflagrada nesta sexta contra suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo Andrei, o desfecho da operação desta sexta-feira poderia ter sido outro, caso a imposição da sanção pelos Estados Unidos não tivesse sido anunciada na quarta-feira. Quem são os foragidos: Victor Henrique de Oliveira Shimada Victor Shimada é empresário foi classificado pelos EUA como "elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais" Ao lado de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, ele foi o primeiro brasileiro a sofrer sanções dos EUA após a classificação de Comando Vermelho e PCC como grupos terroristas internacionais. O governo Trump o acusa de: lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome do PCC; envolver-se em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro do tráfico. No Brasil, Shimada é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. Nesta sexta, ele teve a prisão temporária decretada pela Justiça por suspeita de lavar dinheiro para o PCC. Romany Cutolo Bonente ("Roma") Romany Cutolo Bonente, conhecido como "Roma", é advogado e, segundo a Polícia Federal, atuava como operador financeiro e intermediário de alto nível entre Victor Henrique de Oliveira Shimada e integrantes de organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação também o aponta como gestor de conflitos envolvendo operações financeiras atribuídas ao grupo. Em um áudio citado na decisão judicial que autorizou a operação, Romany afirma que precisava enviar R$ 100 mil ao delegado Fábio Caipira, do Deic, ao tratar de cobranças relacionadas ao esquema investigado. A PF atribui a Romany: atuar como operador financeiro, intermediando transações de alto valor ligadas ao esquema; administrar cobranças e negociações relacionadas às movimentações financeiras do grupo; Diego Lameiro Diz Diego Lameiro Diz é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do grupo investigado e responsável por dar suporte à lavagem de dinheiro por meio da constituição de empresas de fachada nos Estados Unidos e no Brasil. A investigação também afirma que ele participava da comercialização de alho produzido em Mendoza, na Argentina, atividade suspeita de ser utilizada para movimentar recursos da organização criminosa. A PF atribui a Diego: atuar como operador financeiro e dar suporte ao esquema de lavagem de dinheiro; participar da estruturação de empresas de fachada nos Estados Unidos e no Brasil; participar de uma atividade que, de acordo com a PF, pode ter servido para ocultar e movimentar recursos ilícitos do grupo. Ao todo são 11 mandados de prisão temporária, e sete foram cumpridos até a última atualização desta reportagem. Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo de sanções dos EUA na quarta-feira (1º) por suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). LEIA TAMBÉM: PERFIL: Quem é Stella Stefanie, secretária brasileira alvo de punições pelo governo dos EUA 'Doleiro moderno', foragido usou mais de 70 empresas para lavar dinheiro do tráfico Para despistar as autoridades, as investigações apontam que os dois usavam apelidos: Shimada era "o Japa"; Stella, "Lara Croft". Segundo a acusação, Stella organizava a coleta do dinheiro, e Shimada era o elo com os traficantes ligados ao PCC no Brasil. Quem é Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira Já Stella, segundo os EUA, é parente de Shimada e atuou como a secretária dele. O governo norte-americano também afirma que ela atuou como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem da rede. Ela não tem antecedentes criminais e nem responde a processos. 👉 Com as sanções, os bens nos Estados Unidos dos alvos são bloqueados e qualquer empresa que pertença, direta ou indiretamente, em 50% ou mais, às pessoas punidas, também será bloqueada. Entenda aqui o que acontece com pessoas e empresas alvos de sanções econômicas pelo governo dos EUA. PF apreende dinheiro em operação que mira brasileiros sancionados pelos EUA Outros 13 mandados de busca também foram expedidos, em endereços localizados na capital paulista, em Santos, em Praia Grande e em Santana de Parnaíba. Também foi determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões. Em nota, Yuri Cruz, do escritório Marcelo Cruz Advocacia Criminal, que faz a defesa de Victor Shimada, informou que "tomou conhecimento, há instantes, da operação realizada pela Polícia Federal. Neste momento, entretanto, ainda não dispomos de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas". "Nesse contexto, qualquer manifestação sobre os fatos ou sobre o objeto da investigação seria precipitada. Tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, a defesa realizará a análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis." Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, Cruz disse ainda que Shimada é um dos alvos de prisão temporária e deve analisar a possibilidade de se entregar à polícia. “Isso passa também por uma decisão pessoal, mas é mais uma das hipóteses a serem avaliadas." Investigação do caso VaideBet No Brasil, Victor Shimada aparece nas investigações que apuram o suposto desvio de recursos do contrato firmado entre Corinthians e VaideBet. De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público e aceita pela Justiça, a Victory Trading manteve intensa movimentação financeira com a empresa Wave Intermediações e Tecnologias Ltda., apontada pelos investigadores como uma das empresas utilizadas para movimentar valores provenientes do esquema investigado. A apuração identificou uma cadeia financeira que inclui empresas pelas quais os recursos teriam passado após deixarem a conta do Corinthians. Segundo os autos, parte do fluxo analisado seguiu o caminho: Corinthians → Rede Social Media Design → Neoway → Wave → UJ Football Talent Em paralelo, investigadores apontaram transferências da Victory Trading para a UJ Football Talent, empresa citada em outras apurações policiais. A denúncia sustenta que Shimada teria atuado como operador financeiro de uma empresa utilizada, ao menos parcialmente, para ocultar e dissimular a origem de recursos. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro. Em janeiro de 2025, Shimada ficou brevemente em prisão domiciliar no Brasil em um processo com a Votorantim. Em nota, o BV (antigo Banco Votorantim) informou que, "em agosto de 2024, identificou movimentações irregulares no âmbito de seus serviços de Banking as a Service (BaaS). O banco adotou imediatamente as medidas cabíveis, comunicando os fatos às autoridades competentes e colaborando ativamente com as investigações que culminaram com a condenação de um dos sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos conforme lista divulgada hoje. Vale destacar que, na colaboração com as autoridades competentes, o BV atuou como assistente de acusação na ação penal”. As sanções Segundo os EUA, Victor e Stella e as três empresas citadas integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro do PCC, que tem sido investigada na Flórida. Outros seis acusados de integrar essa rede de lavagem de dinheiro foram presos em janeiro deste ano no estado norte-americano, segundo o comunicado. As sanções foram formalizadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano. Esta é a primeira rodada de sanções econômicas divulgadas pelo governo Trump contra alvos que acredita ter relação com a facção brasileira após ter classificado o PCC e o CV como grupos terroristas internacionais, em junho. 👉 Entenda aqui o que acontece com pessoas e empresas alvos de sanções econômicas pelo governo dos EUA. No comunicado do Departamento do Tesouro, o governo Trump voltou a chamar o PCC de "maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental" e afirmou que a facção representa uma "ameaça significativa à segurança nacional dos EUA". Além disso, acusou o PCC de utilizar o sistema financeiro norte-americano para lavar dinheiro. 👉 Em junho, o Departamento de Estado dos EUA classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, contrariando os pedidos do governo federal. A determinação abre espaço para ações mais duras e unilaterais dos Estados Unidos, como sanção de cidadãos e empresas brasileiras e, em último caso, intervenção direta no território nacional. EUA sancionam duas pessoas e três empresas brasileiras por suposta ligação com o PCC em 1º de julho de 2026. Reprodução/Departamento do Tesouro dos EUA O subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou no comunicado que o governo Trump está enfrentando a "crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro dos EUA". LEIA TAMBÉM: Governo Trump diz que PCC usa sistema financeiro americano para lavar dinheiro O que acontece com as pessoas e empresas alvos de sanções do governo dos EUA? Entenda Classificar PCC e CV como terroristas faz parte da estratégia de Trump para a região; entenda A declaração do governo Trump sobre PCC e CV que preocupa o governo Lula: 'Ameaças à segurança regional'